sábado, 13 de junho de 2009

O SÍTIO



Eu me sentia com uma estranha sensação, uma vontade de mim, algo pedia uma auto-análise, para saber até onde exatamente eu me conhecia.


Nesta manhã fria e chuvosa vim para este sítio, este local raramente usado, pertence a um casal amigo e quando revelei minha vontade de passar um período reclusa, ofereceram-me o lugar que caiu como uma luva.


E agora, aqui neste ambiente afastado de toda adrenalina e rotina da civilização, sinto-me inquieta, o sítio de meus estimados amigos é um lugar bastante acolhedor, e com o passar das horas observo também o seu aspecto sombrio, sua decoração rústica, seus quadros com rostos desconhecidos, figuras com olhos inquiridores que despertam um certo pavor em mim.


Isto se agravava ao anoitecer, quando a pouca iluminação das velas dominam o ambiente nebuloso, os olhos daqueles quadros me fitavam, aumentando minha vontade de tira-los da parede e esconde-los enquanto durasse minha permanência ali, mas contive-me e comecei a degustar uma taça de vinho perdida em pensamentos desalinhados. De repente ouvi passos, assustei-me pois estava a quilômetros de distância da civilização, o que se sucedeu a seguir foi algo inexplicável.


Uma figura que eu nunca tinha visto antes, veio caminhando na minha direção, eu fiquei estarrecida pois havia trancado todas as portas e janelas. A minha visitante inesperada sentou-se na poltrona posicionada a minha frente e com um desdém impressionante me olhou.
Eu continuei paralisada, observando os traços irônicos que se formavam no rosto de minha visitante, ela tinha um olhar penetrante, era muita pálida e sem dúvida era uma visão assustadora.


Cogitei que fosse uma assombração, mas afastei esse pensamento, temendo ser real, abaixei a cabeça e olhei para minhas mãos tremulas e de imediato veio uma reação; 
— Não me reconheces? Afinal há tanto tempo assim não me vês? — Disse a figura irritada. Observei minha visitante novamente, tentando lembrar se já a conhecia.
Ela iniciou uma sonora gargalhada, levantando-se da poltrona e caminhando em minha direção, sua fisionomia modificava-se a cada passo, perplexa me vi diante de meu próprio reflexo, e descobri que eu era minha algoz.


— Pobre menina indefesa, sem vida, sem atitude, ou retorna a vida ou te arrasto para um poço de lamúria e dor, onde desfalecerás aos poucos.— ela dizia quase penetrando por mim, através de meus olhos encharcados de lágrimas.


Os quadros ganharam vida e repetiam tudo que a intrusa falava, como ecos sombrios, eu estava em panico, com toda aquela imagem inacreditável e surreal, caí, ouvindo somente os ecos do além.
Na manhã seguinte seguinte acordei no sofá, e preferi acreditar que tudo não passara de um pesadelo, porém não me atrevi a continuar no sítio, voltei correndo para os braços da civilização e para minha rotina ciente de que um encontro comigo mesma é algo tão assustador, o meu pior pesadelo.


A verdade neste caso é inaudível e me aterroriza, continuo aqui definhando esporadicamente, as vozes do além ainda me assombram, como se eu nunca tivesse saído do sítio e por minha vez, eu ainda me sinto lá.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

MÔNICA




Caminhava desgovernada pela rua deserta, não havia nenhum sinal de vida, mas algo guiava meus passos rumo a um destino desconhecido. Meu coração acelerava a cada passo, eu conseguia ouvir o ritmo frenético de suas batidas, a adrenalina corria em meu corpo, e ao meu redor o mundo estava completamente paralisado.
Na longa e fria madrugada sentia como se eu fosse a única pessoa viva na terra, e assim a ansiedade, o medo, a pressa e o pavor se apoderaram de mim, comecei a correr, e corria sem saber para onde, era guiada pelo vento, pela escuridão, pela lua.
Seguia em um caminho longo, que parecia não ter fim, cai de joelhos aos prantos, chorei como uma criança com medo, e não havia ninguém para me acolher, gritei e escutei somente um eco, eu respondendo os meus temores.
— Olá,
— Olá,
Levantei, respirei fundo e corri desenfreadamente, não conseguia ver mais nada, precipitei-me com uma inquietude, com uma voracidade, e de repente, o medo, o pavor, a agitação foram dando lugar a uma nova sensação. Algo inesperado, e os passos desgovernados haviam me levado a um lugar, e essa nova visão trouxe esperança e paz dissipando os medos e convidando a alegria a se apoderar de meu ser.
A visão era o nascer do sol, a luz, o dia, a esperança, percebi que a longa estrada negra havia terminado, e encontrei dentro de meu ser muita vida para seguir novos sonhos.
Aprendi que a vida segue seu rumo, e que o destino é uma caixinha de surpresas, enfim, fui guiada à luz, e tive a certeza de que a escuridão sempre tem seu fim.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

DEFINIÇÕES



És para mim como o pôr do sol, que a cada dia brilha mais intenso.
És como as estrelas, que nunca deixam de brilhar apesar de toda a distância, pois seu brilho se encontra no fundo do meu olhar.
És como a esperança que sempre aponta no coração dos necessitados de luz.

És inexplicável, indefinido e infinito em sua existência.
És um sentimento, o mais puro e verdadeiro.
E por mais que eu lhe ofereça a todos, sempre brotas ainda mais grandioso em meu coração.
És o amor.

O mais confuso dos confusos e totalmente indefinível,
A verdade universal é que és uma esfinge, que passamos a vida toda tentando descifrar, e assim somos devorados por sua grandiosidade, sem saber que sempre tivemos a resposta.
Amar, simplesmente amar sem tentar te entender.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

PASSEIO NO PARQUE



Eu vi uma menina, e sua beleza vinha da alegria de viver.
Vi uma moça, cheia de sonhos que renasciam a cada amanhecer.
Vi uma mulher e sua sabedoria cintilava em atos nobres e gentis.
Vi a fusão de todas, na alma feminina.
A criança cheia de sonhos, a bela mulher e a nobre e gentil moça.
E estático, encantado, contemplei aquela imagem.
Nascida para ser adorada com seus traços únicos femininos.





Uma jovem parecia chorar em uma tarde, enquanto eu passeava pelo parque, passei a observa-la e a me perguntar;
Quais segredos, dores, mágoas, aqueles tristes olhos guardavam?
A tristeza havia se apossado daquela criatura tão insignificante e ao mesmo tempo tão bela e sorridente. Observei que alguns sorrisos são esconderijos para mágoas e feridas de difícil cicatrização, a alma daquela pequena estava sangrando, tornando-a uma matéria morta e com uma enigmática vitalidade.
— O que ela teria percebido da realidade desse utópico mundo, onde as pessoas vivem de sonhos?
Estariam os seus estagnados?
Tentei ajudá-la, não consegui mover-me, vê-la em seu estado de agonia, naquela insanidade me fez chorar e aos prantos percebi o quanto o mundo é real, e a realidade é dolorosa.
E pasma percebi que aquela jovem, havia sugado minha essência, meu ser, e após uma fusão passamos a ser uma só pessoa, eu e aquela desconhecida uma só alma.
Na verdade sempre fomos unidas, só não enxergávamos a verdade, talvez você se encontre em um passeio no parque.

sábado, 4 de abril de 2009

SENDO MULHER



Sendo mulher,me encantei.
Atraiu-me com seu cheiro, seu olhar,
sorrindo instigantemente, me entreguei.


Aos seus braços, grandes monumentos
tornando-me cativa, sua escrava e acordei.
na grande noite escura, ressonei.


Logo percebi que no calor de braços desconhecidos,
imaginados e intocados, frutos da minha imaginação.
Libertei meus instintos femininos, sendo mulher.


E os instintos gritaram, descontrolados;
Fêmea libertina e ousada,louca e apaixonada pela vida, por viver.
fêmea desgovernada e enclausurada.


Onde a mulher dona de si, vive a te esconder?
Corriam por minhas veias, arrepiavam meus pêlos,
faziam-me suar, minha respiração tornou-se ligeira e ofegante.
Meus passos descompensados, nervos aflorados, instintos indomados
.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

OS LAÇOS



Ah! Os laços inquebráveis
Que foram forjados pelo sangue
União fraternal nascida no coração
E inundada de ternura por todos.


Laços que sempre agregam os amáveis
Criaturas necessitadas de extravasar seu amor, de ser irmãos
Agregam também a discórdia, os equívocos e a incompreensão.


Ah! Os laços amarráveis, as brigas infindáveis
A dor da saudade, a dor do orgulho corroem o coração
E a consciência que suplica pelo fim da desunião.


Ah! os domingos familiares
Esqueceram-se as brigas, reconciliação.
Um abraço apertado, suspiros aliviados.
O amor é a solução

domingo, 29 de março de 2009

POEMA E MELODIA



Me encantei com um trecho da biografia de Francis Hime, feita por Ruy Castro, na qual ele faz menção a grandes ícones da musica brasileira.


"Tom Jobim é um piano, Caymmi, um violão, Vinícius, uma caneta, Noel, um terno branco. Por analogia, Francis Hime é uma orquestra. E uma orquestra sinfônica. Não uma sinfônica convencional, apoiada exclusivamente nas cordas, madeiras e gravatas, mas uma formação enriquecida por metais de gafieira, cavaquinhos de chorões e tamborins de escola de samba."

( Ruy Castro)


Minha especial atenção foi a Vinícius de Moraes o poeta que escrevia com o coração, que sempre inovava e encantava. Ele foi o poetinha tomado pelos instintos que viveu a vida de um modo desregrado e intenso, foi dor, porém foi amado e foi amor.
Francis Hime, é a melodia em pessoa, a paixão e a dor transmitidas na musica.
O fato é que Vinícius e Francis juntos, originaram uma música única, com letra e melodia profundas, chamada “ A DOR A MAIS ”.
alguns amigos se referem a ela como “ A maior dor de cotovelo ” eu a tenho como uma obra prima , a livre alma poeta e a sinfonia.



A DOR A MAIS


Foi só muito amor
Muito amor, demais
Foi tanta paixão
Que o meu coração
Amor!
Nem soube amar mais...

Inventei a dor
E como ela nos doeu
Ah! que solidão
Buscar perdão
No corpo teu...

Tanto tempo faz
Tens um outro amor
Eu sei!
Mas nunca terás
A dor a mais
Como eu te dei
Porque a dor a mais
Só na paixão
Com que eu te amei...

sexta-feira, 27 de março de 2009

AMIZADE



QUERIDOS


Exibiram-me um sorriso e resgataram-me da hipócrita solidão.
Ofereceram-me suas mãos e mostraram-me seus mundos.
Compartilharam sua idéias, dividiram sonhos.
Ofertaram-me os ouvidos, falaram suas preocupações.
Foram meus irmãos e irmãs, como se caminhássemos juntos desde o fundamento.
Foram as pessoas com quem dividi minhas aventuras, minhas loucuras e meus momentos de dor.
São em quem confiei e ainda confio,
são também os que me feriram.
São os que me abraçaram quando precisei,
os que me chutaram quando vacilei,
os que perdoaram quando os neguei,
más no final são todos meus amigos.

LUNA



Magnifica em sua enigmática aparência,
grandiosa em seu apogeu.
És fiel ao seu amante sol,
pois mesmo estando tão longe,
insiste em exibir a luz representante da união abençoada pelo universo.
Sempre envolvente,
inicia-se tímida.
Aos poucos abre um sorriso cativante e sedutor,
depois se mostra em um leque,
chamando os cosmos para uma dança mística,
um tango astrológico, rodopiando pelo salão estrelado.
Ela finaliza sua apresentação vestindo-se de noiva,
um verdadeiro sol lunar, e em sua pureza,
parte para a lua de mel, desencadeando um lindo eclipse.

quarta-feira, 25 de março de 2009

MOMENTO RETROSPECTIVO


Voltando as origens, vou postar um poema antigo, feito em 2001, e enviado naquele mesmo ano ao concurso de poetas idealizado pelo Rotary Club de Vitória. Este poema foi um dos selecionados para fazer parte de uma coletânea chamada " Poetas da Esperança".

Eu sigo aquela conhecida filosofia de vida " Recordar é viver", por que só se pode entender o que você é e será, o que você fez e fará, se entender o que foi e fez.


SEGUNDOS

Segundos
Para te ouvir.
Segundos
Para te olhar.
Segundos
Para te amar.
Segundos
Para pensar.
Segundos
Para discutir.
Segundos
Para se despir.
Segundos
Para ir embora...
Segundos
Para te esquecer...
Segundos
Para chorar...
Adeus meu amor...
Segundos não são bastantes
Para quem tem a eternidade...
A eternidade para enfrentar.