domingo, 3 de fevereiro de 2013

O caminho


Na margem da estrada sem fim,
Caminhando solitário
Encontrei-me com Vinicius

Homem com medo de muros
Que preza sua liberdade
Que adora a simplicidade
Que busca uma realidade que nem sabe se existe.

Vinicius tem a alma de criança,
E leva a vida como uma dança
Sem regras, sem freios, somente desafios.

Olhando o espelho do passado
Ele caminha desgovernado
Enxuga lágrimas que havia derramado
Com as lembranças daqueles retratados na memória de tempos felizes.

E para recomeçar a dança,
Ele se encontra com a criança que vive dentro de si
E saí rodopiando, em busca daqueles sonhos de seu tempo de menino,
Prezando somente a honestidade dos transeuntes
Ele vive intensamente por todo o caminho... até o fim.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Prosopopéia Lunar



Nas ruas, nos bares, nas mentes, nos montes imagina-se a magia dominar:

(Ela) ─ Oh! Doce noite fria

─ Oh! Lua cristalina, que aviva meus instintos femininos, transformando-me em aprendiz.

(Lua) ─ Respire fundo, antes de iniciar a longa caminhada noite adentro, seres noturnos vão te infernizar, esqueça as aventuras meu boêmio.

(Ele) ─ Oh! Triste noite fria

─ Oh! Lua prateada que convoca lobos famintos enviando-os a minha amada.

(Lua) ─ Daqui de cima assisto a tudo, e manipulo as pobres almas, enfraquecidas, desamparadas, desiludidas e apaixonadas.

(Ela) ─ Oh! Noite iluminada

─ Oh! Lua tão bonita, guie os meus passos inocentes, proteja-me de todo inconsequente, seja parte de mim.

(Lua) ─ Minha pobre alma, já faço parte de ti, tão feminina, misteriosa, hipnotiza pra lhe servir, tão geniosa e complicada é a menina de fases.

(Ele) ─ Oh! Noite irritante

─ Oh! Lua atrevida,

A cada minuto que passa longe de minha amada, sinto menos a vida.

(Lua) ─ Vejo algo cativante, quase uma ressurreição, um casal de viajantes, se beijando lá no chão, vejo fogos de artifícios estourando entre as línguas. Vejo os lobos pelos bares e o reinicio de duas vidas.

Constatação

As pessoas são estranhas e agem de modo singular, cada qual se preocupa somente com seu bem estar, e o mundo que se exploda.


Essa singularidade me espanta, não quero seres iguais, nem diferentes, somente aprecio seres humanos.

─ Pena que eles estão em extinção.

terça-feira, 22 de março de 2011

SÓBRIO


Gustav Klimt "O Beijo"

E ela o atacou, o possuiu ali, no auge da sua embriaguez e gozou esquecendo-se dos princípios, entregou-se aos instintos e foi aquela mulher que ele sempre sonhou possuir.


Ronronou como uma gata, satisfeita após o ato, banhou-se e saiu sem olhar para trás, abandonando o objeto utilizado para seu prazer adormecido em meio a lençóis torcidos.

E ele atacado, foi possuído ali, no auge de sua alegria e gozou esquecendo-se dos carinhos, ganhou a briga contra os princípios e teve em seus braços uma mulher libertina.

Ressonou como um menino cansado e rolou na cama abandonado, e nos lençóis retorcidos adormeceu, sentindo o cheiro do amor.


domingo, 23 de janeiro de 2011

O TEATRO

PALHAÇO BÊBADO (CHICO EDUARDO)

Em algum lugar existe um bar, e nele há uma mesa ocupada por uma única pessoa, ela busca a companhia de bebidas e conversa com seu copo de uísque, observando todos ao redor.
Tudo ali gira de uma forma mágica, como se vivesse em um mundo paralelo onde não há regras, não há problemas, não há inimigos, não há limites.
Ele se equilibra em suas pernas como se aprendesse a andar, sorri descaradamente para as damas ausentes e brinda aos motivos ébrios e fúteis.
Ele sonha com as impossibilidades e canta a música que toca ao fundo, como se fosse um artista em seu palco ele encarna o personagem e ignora os tolos que não compreendem o que se passa ali.
A mais bela encenação existente, um ser totalmente sem mascaras e sem fingimentos mostrando como todos gostariam de ser, feliz ele se equilibra em uma única perna e desafia a gravidade, cai e levanta, ri de si mesmo, e persiste a tentar novamente, nunca desistiu de nada e não será por um tombo que começará.
Ele valsa a música que só ele escuta, e quer que todos sejam seus amigos, sai abraçando a todos sem reservas, sem pudor, é uma pena que ele não possa se abraçar.
Ele se torna um homem rico cercado de amigos e paga a todos uma rodada, ele é solitário e vive em um teatro, onde o único que realmente vive é ele.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A RAINHA ESCARLATE


Gustav Klimt "adão e eva"



Brasil, 1932.




Deslizou as mãos pelo vestido escarlate estendido sobre a cama, sua seda macia e brilhante fizeram as lembranças de anos vividos retornarem à memória tão ressequida pelo tempo, tempos áureos onde as cores vivas se estendiam por sua pele e por seus cabelos, trazendo filas infinitas de homens à sua porta dispostos a tudo e a pagar qualquer preço por um pouco de sua atenção, levantou-se e caminhou até o espelho, sentou-se em sua penteadeira e iniciou um ritual sagrado que se repetia por incontáveis anos, passou o rouge nas faces e nos lábios, chamou Verônica, uma de suas meninas mais promissoras, que entrou em seu quarto com seu sorriso mais descarado.

─ Madame Gabrielle, o salão está lotado, tens que descer logo, todos perguntam como está sua saúde.

─ Verônica, faça um de seus penteados, um digno de minha pessoa, esta é a ultima noite que visto o vermelho.

Madame Gabrielle voltou aos seus devaneios, enquanto Verônica tagarelava sem parar e iniciava o penteado em seus cabelos, olhou-se no espelho, seus olhos cor de jade já não tinham o mesmo brilho como na sua juventude, seus cabelos ruivos agora estavam quase totalmente brancos, com exceção de algumas mechas vermelhas que produziam um contraste interessante na cortesã, sua pele continuava alva, porém o tempo deixou suas marcas, demonstrado toda sua crueldade, concluiu com desgosto que sua vida passou muito rápido, mas que guardava em sua memória cada minuto do que viveu. Não se recordava de sua vida antes de se tornar uma cortesã, bloqueou essas lembranças para não se tornar fraca e vulnerável diante daqueles que sentem prazer provocando dor física e psicológica.

Lembrava-se de sua primeira vez, uma dolorosa lembrança com um velho tropeiro grotesco que a fez sentir nojo e dor, o odor de cachaça e sujeira. A experiência foi humilhante e cruel para uma moça que foi obrigada a recorrer a sua própria carne para não morrer de fome. Depois daquele dia, decidiu que era insensível, pois ser assim tornava tudo mais fácil, porém, certo dia a sorte finalmente resolveu aparecer, um forasteiro de passagem no fim do mundo onde a pequena se submetia a esses caprichos encantou-se com sua beleza exótica, iniciou-se um jogo de sedução e prazer, carnes, cabelos emaranhados, dedos e apertos, somente as lembranças destes momentos faziam com que a chama da paixão reacendesse no interior da mulher que vivia a proporcionar essas sensações. O homem que despertou tantas emoções naquela jovem chamava-se Julian, alto, com uma pele de tom bronzeado, cabelos negros, com alguns fios grisalhos na lateral, um sorriso branco e farto, coisa rara naquela localidade. Foi ele que a conduziu do nada ao tudo, a tirou do interior e a colocou na cidade do Rio de janeiro, foram amantes e amigos e escandalizaram toda a aristocracia com a falta de pudor apaixonada que demonstravam.

Toda bonança tem seu fim, e era obvio que aqueles tempos também acabariam, Julian viu-se obrigado a escolher entre a mulher perdida e sua fortuna, pois os pais ameaçaram deserda-lo, e como mulher sensata, Gabrielle retirou-se de cena, ganhou uma considerável quantia de Julian, com a qual abriu o prostíbulo que passou a ser sua razão de viver, e o céu de muitos homens. Sua casa era conhecida como “Monte Olimpo”, uma referencia a casa dos Deuses gregos, dizia-se que o “Monte Olimpo” era o lugar onde os cariocas da mais alta estirpe sucumbiam aos prazeres da carne e onde as Ninfas e Deusas mais belas estavam aguardando para proporcionar prazer.

─ Pronto! Está lindo Madame. Agora se Madame não necessitar mais de meus serviços, descerei para receber os clientes.

─ Pode descer minha querida e lembre-se sempre Verônica, de manter o sorriso no rosto, pois aqui é onde damos alegria e paz aos que não conseguem em seu lar.

─Sempre Madame.

Com a saída de Verônica, Madame Gabrielle encheu seu copo de absinto, acendeu um cigarro, caminhou até a janela e ficou observando as estrelas. Voltou-se até a cama e vestiu o vermelho que a deixou conhecida por muitos como a rainha escarlate da paixão, abriu a gaveta do criado mudo e pegou o pequeno frasco com conteúdo precioso, despejou o líquido em sua taça de absinto e ingeriu de uma só vez.

Deitou-se serenamente em sua ampla cama, fechou os olhos e morreu sorridente, seu ultimo pensamento foi Julian, recebera a notícia de sua morte naquela manhã, ele foi a única pessoa que ela amou e as melhores lembranças, a sua vida se foi com ele, viveu para amar e morreu amando e cada vez que se deitou pensou nele, cada toque de outro homem sentiu os toques dele, cada minuto de prazer foi projetado em sua imaginação ao seu amado, entregou sua alma e foi sua perdição, não havia lugar para amor na vida que escolheu, ou se vive o amor ou acaba-se junto com ele.






















segunda-feira, 13 de setembro de 2010

(Aos homens, o texto abaixo é apenas uma brincadeira, não se zanguem)

Toulouse Lautrec
Monólogo de Uma Feminista


“A utopia do relacionamento: Não há “amor recíproco feliz”, somente um momento ilusório, onde tende-se a imaginar que está no relacionamento perfeito, quando isto não existe. Tende-se a perdoar atos injustos, ferindo nosso princípio de honra, integridade moral, a troco de nada.”







─ Ok! Peguei pesado, mas é mais ou menos isso que os homens fazem com nós mulheres delicadas e sonhadoras, nos iludem e nos moldam ao seu escárnio de prazer e muitas acham isto tudo. Eu quero muito mais, minha alma evoluiu, são séculos de manipulação masculina, agora é minha vez.



─Me chamo Georgiana, não sei bem o porquê, acredito que isso se deve ao fato de minha mãe ser uma fissurada no livro “Orgulho e Preconceito” de Jane Austen, talvez pela duquesa, ou fui um bebê com cara de macho, e por não poder me chamar George, chamou-me Georgiana.



─Hipóteses e hipóteses, muito bem, isso não vem ao caso, a grande questão é que tive uma ideia revolucionária... fundarei um partido político.



─ Ah! Não faça essa cara de espanto, sim, porquê não?



─ Um partido político que se chamará “Revolucionárias Esquerdistas Centradas em Idéias Feministas Extremistas” ou simplesmente ( RECIFE).



─ Eu sei que você acha que estou pirada, mas simplesmente sou uma moça cansada de sofrer injustiças, como: Não receber um telefonema no dia seguinte, ser ignorada pelo homem com imaginava casar e ter filhos.



─ E isso dói, dói muito... Só que está dor só dura até descobrir que ele já é casado e pai de cinco filhos.



─ Ai a dor vira alívio por não ter parado de tomar a pílula, pois com certeza a pensão séria péssima, com tantas bocas para ele alimentar.



─ Enfim com base no meu histórico de sofrimento nas mãos de crápulas, decidir fundar um partido político, mas ainda não sei por onde começar.



─ Todo partido tem uma ideologia, a minha ideologia pode partir do seguinte pré suposto: Deixo bem claro que a economia do país continuará capitalista, mas os homens em si tornaram-se “pessoas” socialistas.






Explico: Teoricamente e utopicamente, em um país socialista o governo é dono de tudo, o meu partido levantará a bandeira dos homens tornarem-se “bens” do Estado, para usufruto da população feminina em geral.



─ Em resumo, não haverá mais casamento, nem namoro, nem noivado, os homens ficaram a disposição feminina, sem o direito de falar, ou tentar ludibriar nossos corações já tão machucados.



─ Qualquer tentativa de rebelião por parte deles, será tratado a mãos de ferro ( Risos).



─Acho que me empolguei, isso está mais parecido com ditadura do que com o socialismo, e olha o que conseguir: Juntar ideais tão opostos em uma única finalidade “ o bem de todas as mulheres da nação”.



─ Bom vou-me agora, se houver mais delírios de uma feminista, eu volto, Caso contrário viverei mais uma desilusão.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

JOSY

(Imagem: Autor desconhecido)

Ao primeiro olhar a detestei
Uma antipatia mútua
Um desequilíbrio de órbitas
Divergências de idéias e opiniões.


Iniciamos uma batalha de idéias
Onde a grande conquista
Era uma amizade já conquistada.


E o prêmio da autonomia rebelou-se contra nós
Obrigando-nos a enfrentar a mais forte realidade
De que não havia motivos para guerra
Devíamos viver em paz.


Aprendemos a conviver, a aceitar as diferenças
Cada passo de uma vez, em uma longa caminhada
Corremos, paramos, respiramos
Traçamos uma história independente e surreal.


E hoje permanecemos juntas nessa louca amizade
Até quando? Só o tempo dirá
O fato é que nos forjamos ao nosso ideal de realidade.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

ARDOR

(Imagem: Toulouse Lautrec)

Sempre observei seu andar pela rua
Sua dança ao luar prateado
Suas curvas sorrindo para mim

O vento bagunçando seu cabelo quando rodopiavas
Ao som da música orquestrada pelo mar

Respirava seu perfume, exalado de uma flor rara
Guardava seus sorrisos em um filme constante
Um romance clichê, que insiste em passar em minha memória

Chorei cada vez que seu rosto estava triste
E me extasiei com sua alegria
Entreguei meu ser a ti
Sem nada pedir
Sem nada esperar
E fui feliz enquanto te pertenci

Fui paixão, fogo, entrega
Sangue fervente, saliva, suor
Fui beijos, abraços, fui voz e gemidos

Fomos pêlos e pele, fomos dor e paixão
Fomos magia, inspiração
Uma quimera inimaginada e totalmente sem tradução

Somos sem compreensão, a mais pura sensação
Somos traição e amor
Sempre sem comparação
Ardor


domingo, 23 de maio de 2010

DEVANEIO

Um brinde as voltas da vida
Esse louco carrossel
que guia nosso destino
descendo e subindo ao céu

Um brinde ao grande moinho
que se tornou nosso mundo
o vento que nele passa
se reproduz no futuro
 Um brinde ao caos e a sua teoria
aos que não conseguem notá-lo
e ao sopro que hoje faço tormenta de meu passado

Um brinde ao jovem poeta
esse louco sonhador
que enfrenta ao gigante moinho
e se joga no abismo na busca do puro amor

Um gole ao amor insano, dominador de minha alma
que me leva as tormentas do mundo
no sobe e desce da vida e que me rasga as feridas
me torna paixão em vida e te faz possuídor de mim.